Mulher doa rim para chefe que estava muito doente e acaba demitida durante recuperação

Um escândalo nos Estados Unidos. É a história de uma mulher que doou um rim para ajudar a chefe, que estava muito doente. Só que a doadora foi demitida. Agora, ela luta por reparação na Justiça.

Debbie Stevens (foto direita) não consegue esconder a revolta. Ela é divorciada e mãe de dois filhos. Trabalhava numa revendedora de carros de Long Island, em Nova York.

No fim de 2010, Debbie resolveu doar um de seus rins para salvar a vida da ex-chefe dela. Jackie Bruscia (foto esquerda), diretora da empresa, estava muito mal e no fim da lista nacional de transplantes. As duas não eram compatíveis.

Então, Debbie doou o rim para outro paciente para que Jackie pudesse avançar de posição na lista e fazer logo a cirurgia. Foi o que aconteceu.

Debbie e Jackie foram operadas e voltaram a trabalhar na mesma época. Debbie diz que teve problemas na recuperação e que precisou faltar uns dias porque não estava bem. Segundo ela, foi aí começaram os problemas.

“Ela gritava comigo, me censurava, me tratava mal na frente dos colegas de trabalho.” Mas em vez de ouvir ‘obrigada’, Debbie ouviu de Jackie: “você está demitida”.

A ex-funcionária entrou na Justiça contra a ex-colega e contra a empresa. A empresa divulgou um comunicado dizendo que Debbie foi tratada de forma correta e que ela está se aproveitando de um gesto de generosidade para fazer reivindicações sem sentido.

Debbie responde: “‘Não vou deixar que essa história toda traga arrependimento por ter salvo uma vida. Não vou”, afirma ela. Em que consiste a doação de rins em vida?

Na doação de rins em vida, um doador vivo doa um rim a um paciente renal. É possível viver-se apenas com um só rim. Os familiares ou conhecidos do paciente podem doar-lhe um rim. Também se pode doar um rim, anonimamente, a um desconhecido.

Porque é que a doação de rins em vida é importante? A lista de espera por um rim de um doador falecido é extensa: de 2 anos e meio a 5 anos. Com a doação de rins em vida, os pacientes renais podem ser ajudados mais rapidamente.

Graças à doação, o paciente renal não precisa (mais) de fazer hemodiálise. Na hemodiálise, o sangue do paciente renal é filtrado, para remover as substâncias tóxicas.

O paciente renal precisa da hemodiálise para viver, mas a hemodiálise acarreta desvantagens. Se se conseguir um doador vivo, atempadamente, a hemodiálise nem sequer chega a ser necessária.

O doador tem, portanto, de estar disponível mesmo antes de a diálise ser necessária. Com um novo rim, a qualidade de vida do paciente renal melhora substancialmente.

A qualidade de um rim doado por um doador saudável e vivo é boa. Um rim doado por um doador vivo funciona durante cerca de 20 anos.

Um rim doado por um doador falecido funciona apenas durante uns 10 anos.

A qualidade do rim é melhor mantida no caso de a doação suceder em vida. E isto porque as cirurgias do doador e do receptor podem ser planeadas.

Fonte: g1 globo